No início do filme temos a impressão de que teremos uma obra obscura e assustadora, pois a única visão que temos é de um paredão onde é possível ler "Io non ho paura", mas com o desenrolar das cenas, temos um mundo alegre e colorido, onde as crianças do vilarejo, com suas roupas de cores que se destacam sempre, se perdem em meio a tanto amarelo e azul. No decorrer do filme, temos a divisão de dois mundos totalmente opostos, onde vivem Michelle e Felippo. Michelle, em seu mundo colorido e inocente, sempre rodeado do trigal e de seus amigos. Felippo, dentro do buraco, aprisionado em seu mundo de escuridão e morte, sempre sozinho. Com o decorrer das cenas, os dois opostos vão se juntando, até que Michelle consegue trazer à luz o que até então, foi escuridão. Mas então, ele descobre o motivo de Felippo estar no buraco e seu mundo se divide novamente. Divide-se, primeiramente, devido ao medo de desobedecer, de cometer um erro que pode levar todo o seu vilarejo a sofrer graves consequências. Mas seu coração inocente não consegue entender o motivo de tudo aquilo e mesmo com todas as ameaças que teve, não consegue se esquecer de seu novo amigo.
Com um final surpreendente e emocionante o diretor, Gabriele Salvatores, nos faz rever os nossos princípios e ideais, nos levando a passear num mundo de inocência, medos, vitórias e decepções e nos confrontando com o mundo que tentamos obter para nós mesmos e para nossos queridos, custe o que custar, sem medir consequências.