terça-feira, 15 de novembro de 2011

Io non ho paura (Eu não tenho medo)

Io non ho paura é um filme italiano de 2002 que conta com um protagonista de dez anos de idade, Michele (Giuseppe Cristiano), que vê a transformação de seu cotidiano ao conhecer um novo amigo. Michele e seus amigos vivem no sul da Itália, num vilarejo pobre e rodeado pela plantação de trigo. Com poucas opções de lazer, o que eles costumam fazer é andar de bicicleta e brincar no trigal. Um dia, ao voltar da casa abandonada na qual estava brincando com seus amigos, Michele percebe que deixou os óculos de sua irmã lá e ao voltar para pega-los descobre um buraco coberto por uma tampa enferrujada. Dentro do buraco, todo sujo e sem comida, está Filippo (Mattia di Pierro) um menino que também tem dez anos e não consegue abrir os olhos devido a constante escuridão a qual ficou submetido. A partir de então, Michele volta lá todos os dias, um dia com um pão, no outro com um pedaço do seu bolo favorito, no outro com um brinquedo.
No início do filme temos a impressão de que teremos uma obra obscura e assustadora, pois a única visão que temos é de um paredão onde é possível ler "Io non ho paura", mas com o desenrolar das cenas, temos um mundo alegre e colorido, onde as crianças do vilarejo, com suas roupas de cores que se destacam sempre,  se perdem em meio a tanto amarelo e azul. No decorrer do filme, temos a divisão de dois mundos totalmente opostos, onde vivem Michelle e Felippo. Michelle, em seu mundo colorido e inocente, sempre rodeado do trigal e de seus amigos. Felippo, dentro do buraco, aprisionado em seu mundo de escuridão e morte, sempre sozinho. Com o decorrer das cenas, os dois opostos vão se juntando, até que Michelle consegue trazer à luz o que até então, foi escuridão. Mas então, ele descobre o motivo de Felippo estar no buraco e seu mundo se divide novamente. Divide-se, primeiramente, devido ao medo de desobedecer, de cometer um erro que pode levar todo o seu vilarejo a sofrer graves consequências. Mas seu coração inocente não consegue entender o motivo de tudo aquilo e mesmo com todas as ameaças que teve, não consegue se esquecer de seu novo amigo.
Com um final surpreendente e emocionante o diretor, Gabriele Salvatores, nos faz rever os nossos princípios e ideais, nos levando a passear num mundo de inocência, medos, vitórias e decepções e nos confrontando com o mundo que tentamos obter para nós mesmos e para nossos queridos, custe o que custar, sem medir consequências.